Perdendo o fôlego

Quase vinte anos depois de sua última aventura, o professor/arqueólogo mais querido das telonas está de volta. Embalado por uma série de revivals de personagens, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal traz de volta o nosso querido Indy (Harrison Ford) àquelas situações absurdamente azaradas, mas que ele sempre dá um jeitinho de se safar.

 

O personagem, logicamente envelheceu, mas nem por isso ficou fora de forma. Claro que dá pra perceber uma tênue lerdeza em seus reflexos, mas nada que comprometa as gigantes seqüências de ação. O filme, pelo contrário, perde o ritmo ao longo das mais de duas horas de exibição. Os elementos são comuns aos três primeiros filmes, mas o roteiro acaba ficando meio perdido e até forçado nos últimos minutos.

 

O que mais vale a pena na quarta aventura é o retorno de Marion (Karen Allen), a “mocinha” do primeiro filme e, logicamente, a que mais se parecia com Indiana. Mas a verdadeira graça está na relação de Henry Jones Jr. com seu recém descoberto filho, Mutt (Shia LaBeouf) – aliás, não considero isso um spoiler porque todo mundo já sabia dessa informação!

 

A bizarra relação familiar dos três é o ponto forte da trama, mas o tal reino da caveira de cristal acaba se tornando em algo surreal até demais para Indiana Jones. Os vilões, assim como os dos outros filmes, são bem caricatos: militares russos (e comunistas) liderados pela agente Irina Spalko (Cate Blanchett). Aliás, vale destacar que o sotaque dela ficou muito ruim. Com certeza, este não foi o melhor momento de Blanchett nas telonas.

 

Pra quem gosta deste tipo de aventura ou está com saudade da ação de Jones, ainda vale a pena dar uma espiada. A quarta parte não macula a imagem do herói, mas se eu pudesse escolher, teria concluído a saga em A última cruzada.

 

Zinema reconhece: é legal notar que o personagem envelheceu e amadureceu sem perder aquele espírito aventureiro. Aliás, super amei ver Indy no contexto dos anos 50, com direito às trilhas de Elvis Presley e Jerry Lee Lewis.

 

Zinema condena: a forçada de barra quando a caveira de cristal é colocada no lugar. Ah, ta certo que o Indiana sobrevive à tudo, mas às três quedas do rio Amazonas, foi demais!

 

Dica Zinema para um bom revival: se for só pra juntar dinheiro, não façam! A maioria destes personagens são datados, preferimos lembrar deles do jeito que eram.

 

Onde assistir: nos cinemas, mas só pelos efeitos. Daqui a pouco passa na Temperatura Máxima.

 

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Meu Perfil


Quem?Luciana da Cunha
O que?Estudante de Jornalismo
Quando?07 de abril de 1988
Onde?Blumenau, SC