Dica para os solitários

Não sei se poderia ser chamado de mania, mas eu realmente gosto de ser a primeira pessoa a entrar na sala do cinema. Acho que pelo fato de eu poder escolher qualquer lugar para sentar, apesar de eu sempre ocupar o mesmo. Foi isso o que aconteceu no último sábado quando, pela segunda vez, entrei neste tipo de ambiente. Claro que o interessante não foi isso, mas o fato de a maioria das pessoas terem ido assistir ao filme sozinhas... bom, nem tão sozinhas, boa parte levou consigo um pacote médio de pipoca.

 

Mas o que eu mais observei é como o público representa o filme que será passado nas telonas. Depois de um blockbuster com um monte de gurizada que chegava aos bandos, a solidão da platéia não poderia ser mais condizente com o perfil de A Família Savage. Para quem nunca ouviu falar, o filme concorreu a dois Oscar® este ano e tem como protagonistas ninguém menos do que Laura Linney e Phillip Seymour Hoffmann.

 

Resumidamente, o filme conta a história dos irmãos Wendy e Jon Savage que moram em estados diferentes e, de repente, devem se reunir para tomar conta do pai Lenny (Philip Bosco) que, após a morte da namorada, passa a enfrentar problemas de demência. Apesar de distantes, os dois apresentavam semelhanças em suas vidas: solitários e priorizando seus trabalhos, que deixam sua vida ainda mais frustrada e patética.

 

A caracterização dos personagens não poderia ser melhor, principalmente Wendy, que desconta as suas frustrações (sozinha, fracassada no trabalho, amante de um homem casado e hipocondríaca) em todos os que estão ao seu redor. Apesar de o papel do pai ficar um pouco em segundo plano, é linda a discrição com que ele demonstra sua tristeza com o comportamento dos filhos.

 

Com uma platéia tão solitária, é inevitável não refletir sobre a ironia da situação. No entanto, o final do filme é animador, sem parecer moralista... ponto para os solitários e suas pipocas!

 

Zinema reconhece: o desempenho de Laura Linney e de Phillip Seymour Hoffmann casa muito bem com o argumento, fazendo o espectador se envolver com as personagens.

 

Zinema condena: o pouco caso da Academia com um filme de tamanha qualidade.

 

Onde assistir: em algumas salas de cinema, mas acho que daqui a pouco já sai em DVD.

 

Óbvio com um toque original

Ele não é o mais famoso nem o mais original herói das HQs, no entanto, Homem de Ferro acabou se tornando uma das melhores produções baseadas em personagens da Marvel Comics. Claro que os louros por isso não são tão verdes assim, afinal, quadrinhos nas telonas não representam o meu nicho preferido. Mas vale destacar que sua qualidade desbancou caça-níqueis famosos como as trilogias de X-Men e Homem-Aranha.

 

A premissa é a mesma dos colegas marvetes: história de origem, personagem aprende a lidar com os novos poderes, um pouco de ação no final, um vilão que mal aparece e já some, um gancho para a próxima aventura e participação obrigatória de Stan Lee. Até aí, Homem de Ferro segue a cartilha. Contudo, o destaque está na presença e no carisma de Robert Downey Jr. no papel de um Tony Stark mais canastrão do que o dos quadrinhos. O personagem foi muito bem trabalhado e a sua relação com Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), Jim Rhodes (Terrence Howard) e com o robô que o ajuda a construir o uniforme deixam o filme muito mais bacana e original. O negócio é que Downey Jr. deixou o personagem tomar conta e elevar o nível do filme de um jeito que o pálido Tobey Maguire não conseguiu fazer com Peter Parker (que, convenhamos, já é um personagem bem chatinho). Aliás, destaque para Gwyneth Paltrow que conseguiu um personagem bem a cara dela: parece mais ingênua do que realmente é.

 

Apesar de ser uma história de origem, as coisas não acontecem apenas nos últimos 20 min, como é de costume desta categoria. A adaptação de Tony Stark ao seu novo personagem é justamente a parte mais divertida do filme. Quanto à origem, é claro que não seguiu à risca o personagem dos quadrinhos, mas até que o argumento é bom e não atrapalha a transposição da história.

 

Como não poderia deixar de ser, o final possui um gancho para um novo filme. Mas fique atento, não se trata de um possível “Homem de Ferro 2”. Aliás, não saia do cinema antes de passarem os créditos.

 

Zinema reconhece: Robert Downey Jr. é o cara! Além de ser um colírio para os olhos da mulherada (e de alguns homens também), encaixou-se perfeitamente no perfil do milionário bon vivant Tony Stark. A sua ausência poderia transformar o filme em um fracasso.

 

Zinema condena: nem por se tratar de uma produção independente da Marvel o filme deixou de cair nos mesmos conceitos batidos dos grandes estúdios, a exemplo do exagero de efeitos especiais da última luta.

 

Dica Zinema para um blockbuster cool: deixar de lado aquela discussão sobre o uso de armas. Essa história de ser politicamente correto cansou a beleza do filme.

 

Onde assistir: no cinema. Mas na versão legendada, óbvio!

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Meu Perfil


Quem?Luciana da Cunha
O que?Estudante de Jornalismo
Quando?07 de abril de 1988
Onde?Blumenau, SC