Bisonho demais para a Disney...

Neste fim de semana tivemos o prazer de receber em nossos cinemas a possível conclusão da trilogia Piratas do Caribe. A franquia dos estúdios de Walt Disney começou com um filme ligeiramente modesto: A Maldição do Pérola Negra misturou comédia e aventura em um dos conhecidos blockbusters de verão norte-americano. O que o fez crescer mesmo foi a sua continuação, O Baú da Morte, lançada no ano passado. Agora a história ficou mais densa e com um óbvio gancho para a conclusão da saga.
Piratas do Caribe – No fim do mundo é, sem dúvida, o mais grandioso dos três. Deixou de lado a áurea divertida de Jack Sparrow (Johnny Depp), Elizabeth Swann (Keira Knightley) e Will Turner (Orlando Bloom) para dar um caráter mais sério à história. Para quem não se lembra do final do último: o capitão Jack Sparrow aparentemente morreu e a bruxa conhecida como Tia Dalma (Naomi Harris) traz de volta o capitão Barbossa (Geoffrey Rush) para buscar Jack de volta.
Já no início do terceiro, várias pessoas condenadas à forca por associação à pirataria entoam uma canção, o que significa que está chegando o momento de travar a batalha final entre piratas e os navios da Companhia das Índias Ocidentais. O tempo dos heróis está se esgotando, eles precisam recuperar Jack para reunir um conselho formado por nove piratas de todo o mundo – grupo no qual Sparrow está incluído. Para isso, eles precisam viajar até Cingapura e pegar ‘emprestado’ um navio do cruel pirata São Feng (Chow Yun Fat).
Achou que isso é muita informação para a sua cabeça? Pois isso não dá nem na primeira hora de filme. Em quase três horas de duração acontecerão intrigas, traições, a volta de Jack, tratados com Cutler Beckett (Tom Hollander), a revelação da amada de Davy Jones (Bill Nighy) e batalhas muito mais densas que as dos filmes anteriores.
Minhas Considerações (contém spoilers)

- O meu preferido ainda é o Piratas do Caribe – O Baú da Morte, mas não tem como negar a competência da equipe de produção no último filme. Aliás, os efeitos especiais estão a cara do produtor Jerry Brucheimer: exagerados, mas de acordo com a proposta do filme.
- Senti um pouco a falta do velho humor dos outros filmes. Com assuntos tão sérios em questão, fica complicado dar muita gaitada na sessão.
- Johnny Depp continua bisonho, mas deu a impressão de que ele está meio apagadinho neste filme. Não o ator, apenas o tempo de exposição do personagem (que estão quase virando a mesma pessoa).
- Espaço desperdiçado com Keira Knightley. Por que dar tanta importância pra uma atriz que acabou de abandonar o nível mediano? Por que ela tem que ser mais macha que todos os piratas juntos? Por que ela virou capitã? Por que ela virou rainha do conselho? Daqui a pouco lançam o quarto filme como “Piratas do Caribe – As aventuras de Elizabeth Swann.
- Senti a falta de Chow Yun Fat. Pó! Falaram tanto que o cara ia aparecer, mas chega na metade do filme e ele some? Então que divulgassem mais o nome do Bill Nighy, que agüenta lá, firme, forte e com tentáculos o filme inteiro!
- Orlando Bloom continua uma Barbie para mim. Mesmo querendo deixar Will Turner mais sinistro, ele continua um babaca do começo ao fim.
- Ta certo que os personagens tiveram um destino justo, mas pra que matar dois coadjuvantes que eu tanto gostava?
- O que era o Keith Richards de capitão Teague? Simplesmente a alma do filme!
- Aplausos para Bill Nighy e Gouffrey Rush. Com certeza foram os que mais brilharam, neste filme.
- Mil aplausos para a cena de casamento de Will e Elizabeth: de longe a coisa mais bizarra que os roteiristas e o diretor Gore Verbinski já fizeram por Piratas do Caribe!
- Ótimo final, principalmente para os capitães Barbossa e Jack Sparrow, que se depara com uma óbvia referência à Disney World.

Dicas para quem ainda não assistiu:
- Se você não viu os dois filmes anteriores, passa na locadora e assiste, você corre o sério risco de ficar boiando a sessão inteira.
- Se você já assistiu os dois, assista de novo pelo menos um dia antes de assistir o terceiro. Existem muitas referências aos dois anteriores, e você só vai sacar se tiver isso fresco na memória.
- Não saia nem para ir ao banheiro durante a sessão! Na primeira metade do filme o público é bombardeado com informações e diálogos que acontecem muito rápido. Se você olhar pro lado por um minuto, já perde o fio da meada!
- Se você não gostar do final, ou se gostar, fique até depois dos créditos.
Onde assistir: Cinemas! Mas prefira as verões legendadas, de longe! A não ser que o seu inglês não seja dos melhores e o seu cinema passe com legendas brancas e sem contorno. É que tem uma seqüência em que fica terrível para os mais desavisados lerem.